GSAP grátis: o que a licença permite e o que não
GSAP virou gratuito em abril de 2025, mas não virou open source. A licença é própria, a Webflow detém a PI e existe cláusula de não-concorrência.
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Sumário
- O que mudou, e quando
- Os cinco que eram pagos — e o mito do ScrollTrigger
- Não é MIT: o que a licença "No Charge" diz
- A cláusula de não-concorrência, em português claro
- Código gerado por IA está liberado, e isso foi dito com todas as letras
- O que passou a valer a pena usar
- O risco de fornecedor único
- Perguntas frequentes
- Fontes
Desde 30 de abril de 2025 o GSAP é gratuito para todo mundo, incluindo uso comercial e todos os plugins que antes eram pagos.
Gratuito, porém, não significa open source. A licença é própria, chama-se "No Charge", a Webflow detém toda a propriedade intelectual, e existe uma cláusula que proíbe um tipo específico de uso. Nenhum dos textos em português que encontrei sobre o assunto menciona isso.
Este post cobre o que mudou, o que a licença realmente diz, e o que passou a valer a pena usar.
O que mudou, e quando
Dois marcos, com um ano e meio entre eles.
Outubro de 2024 — a Webflow anuncia a aquisição da GreenSock, empresa por trás do GSAP.
30 de abril de 2025 — data efetiva da nova licença, que torna a biblioteca inteira gratuita, incluindo os plugins do Club GreenSock. É a data que consta na própria página de licenciamento (GSAP, acesso em 20/08/2026).
Hoje o rodapé do site diz apenas "©2026 GSAP — A Webflow Product". O Club GreenSock, o programa de assinatura que dava acesso aos plugins avançados, deixou de aparecer nas páginas de preço e licença.
Os cinco que eram pagos — e o mito do ScrollTrigger
Aqui vale uma correção, porque a informação errada circula bastante.
| Plugin | Antes | O que faz |
|---|---|---|
| SplitText | Pago | Quebra texto em linhas, palavras e caracteres para animar |
| MorphSVG | Pago | Transforma uma forma SVG em outra |
| DrawSVG | Pago | Anima o traço do SVG como se estivesse sendo desenhado |
| ScrollSmoother | Pago | Scroll suave; depende do ScrollTrigger |
| Inertia | Pago | Momentum e inércia em elementos arrastáveis |
| ScrollTrigger | Sempre foi grátis | Dispara e sincroniza animação com o scroll |
| Flip | Sempre foi grátis | Anima mudança de estado entre dois layouts |
| Observer | Sempre foi grátis | Detecta scroll e eventos de entrada |
Vários textos listam o ScrollTrigger entre os plugins que "ficaram gratuitos". Ele nunca foi pago. Confundir isso importa na prática: quem evitou o ScrollTrigger achando que era pago perdeu tempo reinventando scroll com IntersectionObserver sem necessidade.
Nenhum desses vem no core, aliás. O core do GSAP tem Tween, Timeline e o básico de animação — todo o resto é plugin que você importa.
Os padrões de motion que dissequei em sites de agência usam quase todos esses plugins em conjunto.
Não é MIT: o que a licença "No Charge" diz
Esta é a parte que os posts de comemoração pulam.
O GSAP não migrou para uma licença open source. Ele adotou uma licença própria, sem cobrança, com termos que vale ler antes de assumir liberdade total.
A propriedade continua da Webflow. O texto é direto: "All intellectual property rights in GSAP Products... remain the exclusive property of Webflow." Você recebe direito de uso, não propriedade.
Você não pode mexer na marca. É proibido "remove or alter any proprietary notices or branding from GSAP Products".
E existe um uso proibido. É o ponto que muda a avaliação de risco de quem constrói produto.
A cláusula de não-concorrência, em português claro
A licença proíbe "use any GSAP Products for any Prohibited Uses without prior written consent", e define Prohibited Uses como implementação em ferramenta que "encourages, induces, or materially assists in creating a solution that competes with Webflow's visual animation building capabilities."
Traduzindo o alcance real: o alvo são construtores visuais de animação, não desenvolvimento de software em geral.
| Você faz | Afetado? |
|---|---|
| Site de cliente com animação em GSAP | Não |
| Produto SaaS que usa GSAP na interface | Não |
| Portfólio, landing page, e-commerce | Não |
| Ferramenta com editor visual de animação para usuário final | Sim, provavelmente |
| Plugin de no-code que gera animação por interface gráfica | Sim, provavelmente |
Para 99% de quem lê isto, a cláusula é irrelevante. Mas se você constrói ferramenta no espaço de no-code ou editor visual, ela é o item mais importante desta página — e exige consentimento por escrito.
O que me incomoda não é a cláusula em si. A Webflow pagou pela biblioteca e pode definir os termos. O que incomoda é que "GSAP agora é grátis" virou manchete sem que ninguém lesse a definição de grátis. Uma dependência central do seu stack passou a ser propriedade de uma empresa que compete em parte do mercado — isso é informação de arquitetura, não fofoca de licenciamento.
Código gerado por IA está liberado, e isso foi dito com todas as letras
A FAQ oficial responde à dúvida antes que ela vire boato: "AI-generated code is not a 'Prohibited Use'", citando ChatGPT e Cursor nominalmente.
Isso resolve uma preocupação legítima. Se a cláusula proíbe ferramenta que "assiste materialmente" na criação de solução concorrente, um agente que escreve GSAP para você poderia, numa leitura torta, cair na definição. A documentação fecha essa porta explicitamente.
Na prática: gerar animação GSAP com agente é uso normal e permitido.
O catálogo de técnicas de motion para web cobre onde cada plugin entra no fluxo.
O que passou a valer a pena usar
Três plugins que antes ficavam de fora de orçamento pequeno e agora não custam nada.
SplitText é o que mais muda o resultado visual por linha de código. Quebrar título em caracteres ou linhas e animar em sequência é a assinatura tipográfica de praticamente todo site premium. Antes, quem não pagava recorria a gambiarra com <span> na mão ou a bibliotecas piores.
O custo de entrada hoje são seis linhas:
import { gsap } from 'gsap'
import { SplitText } from 'gsap/SplitText'
gsap.registerPlugin(SplitText)
const split = new SplitText('.titulo', { type: 'lines' })
gsap.from(split.lines, { yPercent: 100, opacity: 0, stagger: 0.08 })Dois cuidados que economizam retrabalho: rode o split depois que a fonte carregou, senão a quebra de linha é calculada com a fonte de fallback e sai errada; e guarde a instância para chamar split.revert() antes de recalcular no resize.
MorphSVG resolve transformação de forma que não tem equivalente em CSS. Ícone que vira outro ícone, ilustração que se transforma no scroll — nenhuma técnica nativa faz isso com o mesmo controle.
DrawSVG anima traço de SVG como se estivesse sendo desenhado. Dá para aproximar com stroke-dasharray em CSS puro, mas o controle de sequência e o encadeamento com o resto da timeline não se comparam.
ScrollSmoother é o único da lista sobre o qual eu recomendaria cautela. Ele depende do ScrollTrigger e reescreve o comportamento de rolagem da página inteira. Scroll suave é a técnica que mais gera reclamação de acessibilidade e mais atrapalha em página longa. Grátis não é motivo para ligar.
O risco de fornecedor único
Vale terminar com o julgamento, e ele não é sobre a licença.
O GSAP hoje é mantido pela equipe original trabalhando em tempo integral na Webflow. Isso é bom: mais recurso, desenvolvimento contínuo, nada de projeto abandonado. A v3.15 saiu em 2026, o suporte segue ativo.
E é também uma concentração. A biblioteca de animação mais usada da web pertence a uma empresa só, com licença própria e cláusula de uso restrito. Um fork legal é, no mínimo, incerto — a licença concede uso, não redistribuição.
Nada disso é motivo para evitar o GSAP — é motivo para saber onde você está pisando. Técnica que dá para fazer em CSS nativo com qualidade equivalente não precisa de dependência. As scroll-driven animations do CSS já cobrem reveal, parallax simples e barra de progresso sem biblioteca nenhuma.
A regra que uso: GSAP para orquestração complexa, CSS para o que é simples e reversível. Assim o GSAP fica onde ele é insubstituível, e o resto do site não depende dele.
Na prática, a divisão fica assim:
| Efeito | Precisa de GSAP? |
|---|---|
| Reveal ao entrar na viewport | Não — animation-timeline: view() |
| Parallax simples | Não — animation-timeline: scroll() |
| Barra de progresso de leitura | Não — CSS puro |
| Transição entre estados de layout | Não — View Transitions cobre boa parte |
| Timeline com várias etapas coordenadas | Sim |
| Pinning de seção com scrub | Sim |
| Morph de forma SVG | Sim |
| Split de texto com stagger preciso | Sim |
Metade dessa tabela era GSAP obrigatório há dois anos. Hoje não é — e essa é a notícia que ninguém deu junto com a de que o GSAP ficou grátis.
Perguntas frequentes
Posso usar GSAP em projeto comercial de cliente sem pagar nada?
Pode. A FAQ oficial responde: "Can I really use GSAP in commercial projects without paying anything? Yes, really!" Vale para todos os plugins, inclusive os que eram do Club.
GSAP virou open source?
Não. Ele virou gratuito, com licença própria chamada "No Charge". A Webflow mantém toda a propriedade intelectual, você não pode alterar avisos de marca, e a licença concede uso — não redistribuição.
Preciso de licença especial se meu produto usa GSAP na interface?
Provavelmente não. A cláusula mira ferramentas que constroem animação por interface visual e competem com a Webflow nesse ponto específico. Produto que apenas usa GSAP na própria interface não se encaixa. Se você constrói editor visual de animação, procure consentimento por escrito.
Ainda existe Club GreenSock?
O programa de assinatura não aparece mais nas páginas de preço e licenciamento. Todos os plugins que ele oferecia estão disponíveis sem custo.
Fontes
- GSAP — Licensing. Data efetiva da licença "No Charge": 30/04/2025. Acesso em 20/08/2026.
- GSAP — Pricing. Acesso em 20/08/2026.
- GSAP — Plugins. Acesso em 20/08/2026.
- GSAP — Docs v3.15. Acesso em 20/08/2026.
Verificado em 20 de agosto de 2026.
Gatilho de reavaliação: revisar quando (a) a licença "No Charge" for alterada ou substituída, (b) a definição de "Prohibited Uses" mudar de alcance, (c) o GSAP migrar para licença open source reconhecida, ou (d) a v4 sair com mudança de modelo de distribuição.
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